A mediocridade, a falta de amor, a falta de respeito, a incompetência, o desleixo, o desinteresse, a má vontade, a preguiça, a falta de fé, têm sempre uma justificação. O rol de desculpas, de afirmações e argumentos servem para isso mesmo, para justificar o injustificável. Não é por acaso que todo aquele que tem valor, que ama de verdade, que nutre um respeito incondicional pelo outro, que se preocupa em ser competente, que cuida de si, da relação, da situação, que se interessa pelo outro, que procura ser disponível e generoso, que se ocupa num trabalho sério e honesto, que crê, nunca tem argumentos nem apresenta justificações. Perante o fracasso experimenta o silêncio e fica inconsolável e incapaz de reagir porque entende que não tem perdão, não merece desculpa, porque lhe caiu fundo aquela falha indesejada mas desnecessária. As falhas, no entanto, não se perdem nas justificações nem nas desculpas, são trampolim para activar ainda mais todas as qualidades necessárias e redobram a atenção para não voltar a acontecer. Por isso custa tanto ouvir uma e outra vez, mil vezes, até à exaustão a desculpa barata e a justificação vazia, quando não, o rol de argumentos e de ideias que começam sempre com "não concordo". Porque será que o medíocre, o que não ama, não respeita, o incompetente, o desleixado, o desinteressado, o que sempre reage de má vontade, o preguiçoso, o que não crê é também o que nunca concorda? Chega de justificações. Vamos dar nomes às coisas. Sou um medíocre, sou um preguiçoso, sou um ateu, sou um egocêntrico, sou um desleixado... é mais fácil e mais barato.
Autor: Manecas
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