22 de novembro de 2011

Na Solidão


Solidão!
Só por si esta palavra parece assustar.
Ninguém quer viver na solidão.
Temos medo da solidão.
Temos pena de quem vive na solidão.
Fugimos da solidão.

Perdemos a riqueza da solidão.
Embrenhamo-nos num mundo agitado,
carregado de luzes, cores e movimento.
Agitamos a vida e o ser com mil e uma coisas urgentes.
Tudo é pouco e pouco é o tempo para acolher tudo o que
queremos agarrar e guardar em nós num sentimento de
posse quase absurdo.

Estar só, é estar triste.
Estar só, é estar abandonado.
Estar só, é estar pobre.
Estar só, é estar vazio.

Não era assim.
Nossos pais e nossos avós viviam sós sem solidão.
No cimo dos montes isolados construiam uma vida rica,
cheia, repleta de sentido.
No silêncio das tardes de sol.
No silêncio das noites de invernia.
No silêncio das manhãs de trabalho,
construiam uma vida com sentido.

Estar só, era meditação.
Estar só, era reflexão.
Estar só, era conhecimento.
Estar só, era enriquecimento
Estar só, era acolhimento
Estar só, era criatividade
Estar só, era viver

Aprender a alegria de estar só.
Aprender a construir uma solidão com sentido.
Aprender a presença na solidão.

Estar diante de mim, na minha solidão.
Estar diante de Deus, na minha solidão.
Estar diante dos outros, na minha solidão.
Estar com os que não vejo há muito, na minha solidão.
Estar com os amigos de infância, na minha solidão.
Estar com os que partiram, na minha solidão.

Estar e amar.

Aprender a amar a minha solidão.
Aprender a amar-me na minha solidão.
Aprender a amar a Deus na minha solidão.
Aprender a amar os outros na minha solidão.

Isto é tudo menos solidão.

Autor: Manecas
http://manecas-azul.blogspot.com

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Um comentário:

Aureliano disse...

Suely, Esteja bem !

Muito lindo esse poema sobre a solidão. Também postei um poema sobre solidão. Ela é um estado de refúgio e reflexão, é também uma espécie de defesa. Mas acho que a 7a. estrofe a define amplamente.
Abraços,

Aureliano